
- A vagina tem cheiro de quê?
Terra.
Lixo molhado.
Deus.
Água.
Manhã novinha em folha.
Profundidade.
Gengibre doce.
Suor.
Depende.
Almíscar.
De mim.
Sem cheiro, me disseram.
Abacaxi.
Essência de cálice.
Paloma de Picasso.
Cravo e Canela.
Rosas.
Floresta de jasmim almiscarado, profunda, profunda floresta.
Umidade de musgo.
Doce delioso.
Oceano Pacífico.
Alguma coisa entre peixe e lírios.
Pêssegos.
Bosques.
Fruto maduro.
Chá de kiwi-morango.
Peixe.
Céu.
Vinagre de água.
Luz, licor doce.
Queijo.
Oceano.
Sexy.
Esponja.
O princípio.
Obra-prima de Eve Ensler, "Os Monólogos da Vagina" é muito mais comentado do que lido. Muitos sabem que a obra existe e até tecem comentários diversos sobre a mesma, sem que nunca tenham, de fato, passado uma única vista sobre o livro. O que tenho em mãos comprei no ano passado, numa promoção em João Pessoa. Não parecia publicação nova e já possuía um certo ar de sebo em suas páginas. A obra, na verdade, que virou espetáculo de grande público no Brasil, é uma adaptação do monólogo criado por Eve Ensler e que acordou muitas platéias por aí. Tem poucas páginas e surprende por mostrar o quanto a região do "lá embaixo" ainda é tida como tão incerta e veladamente proibida de ser dita, exceto sob forma de sussurro. Vagina, lábios, vulva, clitóris... existem nos dicionários, nas enciclopédias, mas não assumem a força criadora desse órgão tão maravilhoso e que assusta as pessoas à simples menção do seu próprio nome: vagina, vagina, vagina. Como diz a autora: "Eu digo 'vagina', porque quero que as pessoas reajam".
Nenhum comentário:
Postar um comentário